Annuit coeptis

Mínimo é risco ao emprego

In Uncategorized on 30/03/2008 at 10:42 AM
O LIBERAL

Aumento deve levar à dispensa de empregadas domésticas

ANDERSON LUÍS ARAÚJO

Da Redação

O salário mínimo aumenta de R$ 380 para R$ 415 a partir desta terça-feira, 1º de abril. O aumento deve injetar cerca de R$ 567 milhões na economia paraense nos próximos 12 meses, estima o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese) no Pará. Serão beneficiadas no Estado mais de 1,2 milhão de pessoas com renda de até dois salários.

Mas o reajuste preocupa parte da classe média, cujos rendimentos não foram acrescidos no mesmo ritmo do mínimo. O presidente do Sindicato dos Empregadores Domésticos, José Nogueira, por exemplo, diz que pelo menos, 10% dos que mantém empregados em residências não suportarão o impacto do novo salário. ‘Muitos [patrões] terão que demitir seus funcionários e deve crescer também a contratação sem carteira assinada’, prevê.

Nogueira comenta que não é contra o aumento aos trabalhadores, e sim contra a conjuntura econômica. ‘Vivemos uma inflação muito acima do que os números mostram’, reclama. No sindicato presidido por ele existem cerca de 4,8 mil associados, alguns empregando até 15 pessoas. Ele estima ainda que em Belém, aproximadamente, 100 mil famílias sejam empregadoras domésticas, mas apenas 15%, no máximo, cumprem com as obrigações trabalhistas, assinando a Carteira de Trabalho. Com o novo patamar do mínimo, o sindicalista tem que esse percentual caia ainda mais.

A exposição do problema apontado por Nogueira tem fundamento no descompasso salarial entre as categorias, sobretudo no achatamento da renda da classe média. Ele diz que o salário mínimo vem crescendo, mas muitas categorias com remuneração mais alta não estão recebendo reajustes compatíveis. Daí, a reclamação e o pessimismo quanto à capacidade financeira para manter os empregados domésticos em casa.

CONSUMO

O presidente da Federação dos Trabalhadores do Comércio (Fetracon), José Francisco Pereira, discorda e repete as declarações da entidade patronal que rege o setor comercial. ‘Nesta semana, o presidente da Federação do Comércio no Pará (Carlos Tonini) comemorou o valor do novo mínimo, destacando que será muito bom para a economia do Estado por vai canalizar milhares de reais para o consumo’, pontua.

José Francisco lamenta que muitos empresários e patrões ainda não compreenderam que o aumento do salário mínimo tem efeito extramamente positivo, sobretudo para o setor comercial. ‘Há um aumento de mais de três vezes na aquisição de bens de consumo. Até porque o trabalhador gasta muito além do que ele recebe de reajuste’, diz.

O representante da Fetracom também defende as empregadas domésticas, quando o assunto é salários mais altos: ‘Quem pensa que está gastando muito com a contratação e manutenção de um empregado precisa entender que um bom profissional desse gênero só traz economia para o empregador. São as empregadas domésticas que lidam muito bem com a economia da casa, poupando energia elétrica, material de higiene e outros despesas que precisam ser levadas em consideração também’, explica Pereira.

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