Efeitos serão sentidos com mais ênfase quando outras agências acompanharem a S&P, diz diretor
O grau de investimento, concedido ao Brasil pela Standard & Poor’s na semana passada, é um importante avanço, mas seus efeitos serão sentidos efetivamente do ponto de vista da atração de investidores estrangeiros apenas quando outra das grandes agências de classificação de risco lhe atribuir a mesma nota. A análise é de Carlos Rocha, economista-chefe e vice-presidente do JPMorgan.
“A partir daí, veremos empresas tendo seus índices melhorados e começando a entrar no ‘radar’ do dinheiro de longo prazo. Isso deve acontecer a médio prazo, aos poucos. É um processo”, afirma o executivo, que participou do comitê estratégico de economia e finanças da Amcham-Belo Horizonte.
A agência Moody´s, por exemplo, divulgou nesta semana que mantém o Brasil enquadrado no grau especulativo, essencialmente em função de seus indicadores de dívida pública. Já da Fitch espera-se uma reavaliação em breve, mas que, segundo Rocha, pode ainda ser abaixo do Investment Grade.
O economista concedeu breve entrevista à Agência Amcham. Alguns trechos:
Amcham: Que benefícios a classificação trará ao País de imediato?
Carlos Rocha: A classificação por si só não garante absolutamente nada. Temos como exemplo outros países. O México viveu um período ruim logo depois do investment grade. Na ocasião, a bolsa subiu um pouco e depois caiu.
Amcham: Levando em conta a nova classificação de risco do Brasil, o que devemos esperar do mercado a médio e longo prazos?
Carlos Rocha: No curto prazo, ainda veremos os preços crescerem um pouco mais. Isso porque o investment grade no Brasil veio com duas características muito específicas: o mercado não esperava que fosse tão imediato – e por isso não estava 100% preparado – e existe bom humor no mercado externo. Provavelmente teremos uma correção dos preços, isto é, eles voltarão a cair no médio prazo.
O fato é que a nova classificação facilita o investimento para as empresas e, desde que o governo continue com uma política responsável, no longo prazo o mercado de ações continuará uma boa opção de investimento. É um mercado volátil, mas que dá retorno.
Amcham: Quanto deve durar esse período de alta dos preços?
Carlos Rocha: Acredito que os próximos dois ou três meses serão positivos. A bolsa não crescerá 20% ao mês, mas poderemos ter bons retornos. CIDADE BIZ


