Região de Curitiba já teve 26 confrontos entre policiais e suspeitos de cometer crimes desde o início do ano; governo federal quer ONG fiscalizando casos
Marcos Xavier Vicente e Poliana Milan com Agência Brasil
A versão da Polícia Militar (PM) e da família para a morte de Leandro Felipe da Rocha, 28 anos, são distintas. Leandro era morador do bairro Campo Alto, em Colombo, região metropolitana de Curitiba. Morreu no dia 6 de fevereiro deste ano. Para a polícia, o rapaz foi morto depois de ter atirado contra a viatura que patrulhava a rua. Ainda na versão policial, o rapaz estava cuidando de um ponto de venda de drogas e, ao perceber a aproximação da PM, atirou. Na reação da polícia, o rapaz teria sido atingido e levado ainda com vida pelos próprios policiais ao hospital. Como prova, um revólver calibre 32 foi anexado ao inquérito na Delegacia do Alto Maracanã. Laudo do Instituto Médico Legal (IML) revela que o rapaz morreu com dois tiros: um no olho e outro no crânio.
Para a família, que admite que o rapaz era viciado em crack e chegava a traficar pequenas quantidades, a versão é outra. Segundo a mãe do rapaz, Elza Felipe da Rocha, por volta da meia-noite ela havia ido ao portão pedir ao filho que entrasse. O rapaz disse que ficaria mais na rua, pois se encontraria com amigos e dormiria na casa de um deles. Segundo vizinhos, a PM impõe todas as noites toque de recolher a partir das 22 horas, o que teria sido descumprido pelo rapaz.
A suspeita da família é de que Rocha tenha sido pego pelos policiais e executado a três quadras de sua casa, com bem mais do que dois tiros. “Lembro no IML de ter visto um tiro no rosto e vários no peito”, salienta o irmão, Rodrigo. “Ele era viciado, mas a morte não se justifica. Ele precisava de tratamento, não de violência”, argumenta Elza. A família diz ainda que o revólver foi posto pelos policiais na cena do suposto confronto para justificar a morte. “Meu filho nunca teve arma”, garante a mãe. >>> GAZETA DO POVO ONLINE



