Annuit coeptis

Amazônia: violência, trabalho escravo e impunidade. Entrevista especial com José Batista Afonso

In Interviews on 19/05/2008 at 3:11 PM

INSTITUTO HUMANITAS UNISINOS

Quando é que vão prestar a atenção na questão social da região amazônica? Esta é a pergunta que ecoa diariamente, diante das inúmeras notícias sobre o descaso em relação à Amazônia. A violência cresce, aumenta o trabalho escravo em grandes latifúndios, culturas predatórias se expandem e a impunidade é contínua. Na última semana, Vitalmiro Bastos de Moura, o Bida, foi absolvido pelo 2º Tribunal do Júri de Belém, no Pará, do assassinato da Irmã Dorothy Stang. “Só no estado do Pará, nas últimas quatro décadas, foram mais de 800 assassinatos de trabalhadores rurais e lideranças sindicais, entre eles os de diversos religiosos e ambientalistas. Desse total de assassinatos, tivemos apenas o julgamento de sete mandantes de crime. Desses sete, nenhum está preso cumprindo pena. O único que estava cumprindo pena era o Vitalmiro, que agora foi absolvido”, contou-nos José Batista Afonso, coordenador da Comissão Pastoral da Terra – CPT - de Marabá, no Pará, em entrevista concedida por telefone à IHU On-Line.

Batista acredita que condenar mandantes de crimes na Amazônia seja uma tarefa extremamente difícil, por isso “a absolvição do Vitalmiro, sem dúvida alguma, representa uma dificuldade a mais nesse processo de enfrentamento à questão da impunidade”. Ele fala, ainda, da questão da falta de pulso firme em relação à governabilidade na região, uma vez que há fiscalização e policiamento, mas, ao mesmo tempo, liberação para que a pecuária e o plantio de cana e soja, além da extração de madeira e a grilagem, aumentem seu espaço e produtividade na região.

José Batista Afonso é advogado e coordenador da Comissão Pastoral da Terra na Diocese de Marabá, no Pará. É, também, integrante da coordenação nacional do braço agrário da Igreja Católica. Ele foi um dos advogados de acusação no caso Dorothy Stang.

Confira a entrevista >>

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