Segundo Shelly Shetty, mudanças fizeram país ‘merecer’ nova classificação.
Ela disse esperar que o próximo governo mantenha ‘política econômica responsável’.
Do G1, em São Paulo
A diretora sênior de riscos da agência Fitch para a América Latina, Shelly Shetty, declarou nesta sexta-feira (30) que o Brasil “passou por uma série de mudanças para merecer a nova classificação”, ao explicar os motivos que levaram a instituição de avaliação de risco a conceder o grau de investimento para o país na quinta.
O país teve sua classificação elevada de BB+ para a categoria BBB-, o que significa que passa a ser considerado local seguro para recursos estrangeiros.
Em teleconferência com jornalistas, Shelly disse que quatro mudanças na economia do país foram as principais responsáveis pelo grau de investimento. Segundo ela, essas diferenças são “o aumento das reservas internacionais; a resistência mostrada frente à atual crise internacional; a manutenção da política econômica responsável; e a habilidade de sustentar um nível de crescimento mais vigoroso”.
Para a diretora, as reservas internacionais do país se multiplicaram por cinco desde 2002 e hoje estão na casa dos US$ 200 bilhões, o que fornece ao país segurança frente às turbulências globais. Sobre o que chamou de “política econômica responsável”, Shelly ressaltou a importância da melhoria no perfil da dívida pública, o cumprimento das metas de inflação e a disciplina fiscal, com o sucesso na obtenção do superávit primário. Para ela, “o governo não hesitou em subir os juros para combater a inflação”.
Um ponto destacado pela diretora da Fitch foi a “capacidade exibida pelo Brasil de manter um crescimento mais expressivo”. Segundo ela, os maiores níveis de expansão do PIB exibidos nos últimos anos “diminuíram o espaço que existia entre seu crescimento nos últimos cinco anos (4,5%) e aquele exibido pelos outros países que conseguiram grau de investimento (5,5%).
Shelly citou ainda como motivos para a obtenção do grau de investimento “a real estabilidade social e política do Brasil, apesar de alguns escândalos que envolveram figuras políticas de alto escalão”. Ela também disse que o país está em boa posição para aproveitar a alta das commodities no mercado global, “pelo menos no curto prazo”. Segundo a diretora, “existe agora uma confiança crescente que quem for eleito em 2010 deverá dar continuidade às boas políticas”.
Entre os fatores que ainda limitam novos possíveis aumentos na nota do país, a executiva da Fitch citou uma “vulnerabilidade nas contas públicas e o peso exagerado da dívida púbica”. Outro ponto destacado é a “necessidade de reformas fiscais para distribuir melhor a pesada carga tributária” do país. No entanto, ela disse que não espera grandes avanços nesse campo e sim uma “melhoria gradual”.


