G1
Moeda caiu 1,05% e fechou negociada a R$ 1,609. Segundo analistas, divisa americana passa por queda mundial.
Do Valor OnLine
O dólar terminou as negociações desta terça-feira (17) com o menor valor deste 20 de janeiro de 1999, a reboque da desvalorização da moeda americana no mercado global.
A divisa fechou negociada a R$ 1,609, com queda de 1,05%. A queda acumulada em 2008 é de 9,4%. “Todas as moedas estão se valorizando frente ao dólar”, disse Mario Battistel, gerente de câmbio da Fair Corretora.
Queda mundial
O motivo para a queda geral da moeda norte-americana é a expectativa menor de um aumento do juro nos Estados Unidos no curto prazo. Com o juro se mantendo em patamar baixo por mais tempo, diminui o interesse dos investidores em aplicar no país, o que desvaloriza a moeda local.
Em relação a uma cesta com as principais moedas, o dólar caía 0,21% no final da tarde. Divisas emergentes, como o rand sul-africano e a lira turca, subiam com mais força, da mesma forma que o real.
Entrada de capital
O ingresso de capitais no Brasil favoreceu a queda da moeda norte-americana. Segundo Tarcísio Rodrigues, diretor de câmbio do Banco Paulista, houve entradas principalmente para a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), que subiu à tarde mais de 2%.
Na metade da sessão, o Banco Central realizou um leilão de compra de dólares que teve pouca influência sobre a taxa de câmbio. Foram aceitas duas propostas, segundo um operador, com taxa de corte em R$ 1,6123.
Fechamento de segunda
Na segunda-feira, o dólar fechou em queda, com o aumento das expectativas de inflação no país e ingressos de dinheiro num dia de baixo volume de negócios. A moeda norte-americana caiu 0,61%, a R$ 1,626.
Segundo Vanderlei Arruda, gerente de câmbio da corretora Souza Barros, o dólar acompanha a expectativa de aumento do juro – o que favorece as operações de arbitragem, em que investidores lucram com a diferença entre os juros praticados em diferentes economias.
“As expectativas de inflação continuam sendo um objeto de preocupação, sendo traduzidas como um sinalizador de aumento de juro”, disse Arruda.
O gerente de câmbio de um banco estrangeiro, que preferiu não ser identificado, também citou o aumento das estimativas de inflação pelo mercado no relatório Focus do Banco Central. “Hoje o que se viu foram expectativas bem fortes, o que gerou uma expectativa maior do juro aqui, o que aumenta a arbitragem”, afirmou.


