TRIBUNA DA IMPRENSA ONLINE
Hélio Fernandes
LUXEMBURGO, JÁ
Já na madrugada de terça para quarta, e durante toda a quarta, (ontem), os correios eletrônicos desta Tribuna, e os meus pessoais, ficaram engarrafados, atravancados, intransitáveis. E todos, sem QUALQUER EXCEÇÃO, rigorosamente contra mim. Não havia um só a meu favor, todos criticavam a falta de autenticidade dos meus comentários sobre a VERGONHOSA exibição do Brasil, ficando longe do ouro Olímpico no futebol.
Como a Tribuna on-line tem mais de 200 mil acessamentos diários, imaginem a extensão com que se atiraram contra o repórter. A palavra mais citada, repetida, retumbada, era: VERGONHA ou VERGONHOSA. Mais da metade ainda colocava ou completava, ficando VERGONHA NACIONAL.
Diante de tudo isso, resolvi colocar as coisas nos termos que sempre representaram a minha convicção: exageraram nas críticas, no verdadeiro massacre contra a seleção. Não que ela mereça defesa ou justificação. Não lutou, não se esforçou, não se incomodou com a derrota, pois na verdade não jogou, nunca esteve em campo.
A repercussão nacional e internacional, impensável, inacreditável, inolvidável, saiu em todos os principais jornais do mundo. O próprio presidente Lula, que sabidamente gosta e acompanha futebol (com mais interesse do que com a corrupção que domina o País) não escondeu: “Nunca tive tanta raiva. É vergonhoso perder assim da Argentina”. Lula esqueceu de dizer isso em 2006.
Façamos então a análise do ponto correto, exato e intransponível: massacraram a seleção menor (apenas a de jovens) como se fosse a principal, a mais importante, a seleção nacional.
Essa seleção que decepcionou o mundo e o Brasil, pagou por causa do prestígio do futebol brasileiro. Muitos comentaristas disseram: “Essa não é a seleção do Brasil, QUE TEM 5 TÍTULOS MUNDIAIS“. Não é mesmo, não podia ser, não foi.
Era apenas um ajuntamento de jogadores, sem técnica, sem tática, sem treinador, sem amor pela camisa, dirigido da Barra da Tijuca pelo COMANDANTE DE TUDO, Ricardo Teixeira. Mas este foi ESQUECIDO por todos, apenas um motivo: satisfaz o interesse até financeiro, de muitos. E como garante que continuará COMANDANDO a seleção até 2010 no Brasil, até governadores se arrojam diante dele. Todos querem uma fatia da popularidade do FUTEBOL PAIXÃO NACIONAL. Esta é a realidade que não foi lembrada.
Em 2006 na Alemanha, a verdadeira seleção nacional, (com o mesmo Ricardo Teixeira e seu protegido Parreira) sofreu apenas 1 por cento dos ataques (e não críticas ou comentários) num VEXAME MONUMENTAL. Não foi endeusada, claro, mas foi visivelmente poupada. Tudo que não disseram há 2 anos, guardaram I-N-J-U-S-T-I-F-I-C-A-D-A-M-E-N-T-E, para essa seleção menor, medíocre, menos importante.
Mas é preciso responsabilizar as pessoas corretas. Os jogadores têm uma parte importante nesse fracasso, “é a parte que lhes cabe nesse latifúndio”(João Cabral de Melo Neto). Latifúndio que pertence única e exclusivamente a Ricardo Teixeira. Foi ele que escolheu Dunga sem que os 190 milhões de brasileiros que alimentam e sofrem com essa paixão, fossem ouvidos ou consultados.
Foi Ricardo Teixeira que DEU ORDENS a Dunga: “Convoque o Ronaldinho Gaúcho”. Devia ter recusado ou pedido demissão ali, sairia engrandecido, vai sair mesmo, “si pena ni gloria”, como dizem os argentinos. Ora, Ronaldinho estava parado há 6 meses, machucado, gordo, sem ritmo, a não ser o do batuque que ele carregava pelas noites de Madri e que levou para Pequim. Foi sacrificado miseravelmente.
Estas notas não são de defesa do repórter, mas de alerta contra o bilionário do futebol, Ricardo Teixeira. ELE NÃO TEM SAÍDA, precisa CONVOCAR OBRIGATORIAMENTE, Wanderley Luxemburgo, o maior treinador brasileiro. No momento, o único com capacidade, credibilidade e competência para dirigir a verdadeira seleção do Brasil. Ao longe já se ouve o nome dele. Mas Ricardo Teixeira, arrogante, pode deixar Luxemburgo no Brasil e levar para a África do Sul, os mesmos que fracassaram em 2006. É bem capaz disso, daí o alerta, advertência, ameaça, que esperamos, chegue ao POVO, se lhe derem condições de PROTESTAR.
PS – Para terminar, tudo poderia ser sintetizado na grande manifestação de criatividade de “O Globo” de ontem: o anúncio fúnebre sobre a derrota, anunciando a morte da seleção do Dunga e convidando para a missa de sétimo dia. Magistral.
PS 2 - O crédito, merecidíssimo, vai para o Editor de Esportes, Antonio (Toninho) do Nascimento.


