Dólar ajuda a inflar lucros de gigantes como Vale e a Petrobras, mas leva dezenas de empresas para o vermelho
Por Márcio Juliboni
A safra de balanços do terceiro trimestre apresentou alguns resultados superlativos. Os 12,433 bilhões de reais que a Vale lucrou no período representam um salto de 172% sobre o que ganhou entre abril e junho. A Petrobras apresentou lucro de 10,852 bilhões, um incremento de 24%. De acordo com a consultoria Economática, as duas gigantes do capitalismo brasileiro só ficam atrás das petrolíferas americanas ExxonMobill e Chevron entre as companhias americanas e latinas que já apresentaram seus números trimestrais. A Petrobras também se destacou pelo acumulado do ano – 26,560 bilhões. Trata-se do maior lucro, para um período de nove meses, já registrado no Brasil. Em meio à crise financeira que sacode o mundo, outras três empresas – Vale, Bradesco e Itaú – também acumulam ganhos suficientes neste ano para figurar entre os 20 maiores lucros de companhias brasileiras para períodos acumulados em nove meses.
Das 443 empresas listadas na Bovespa, 192 divulgaram seus resultados até quinta-feira (13/11). No conjunto, essas companhias lucraram 40,365 bilhões de reais no trimestre. A cifra é 18% maior que os 34,268 bilhões que o grupo conseguiu entre abril e junho. É claro que o lucro reflete o esforço das companhias em gerar valor para seus acionistas, e, em plena crise, pode ser motivo de comemoração, quando se constata que mitos do capitalismo mundial, como a montadora americana GM, correm o risco real de falir, e bancos estrangeiros tidos como sólidos há alguns anos hoje lutam para se manter em pé. Estaria o Brasil escapando ileso do turbilhão global?
Infelizmente, não. Uma segunda olhada nos números divulgados até agora mostra que as brasileiras também foram atingidas. Ao lado dos recordes de algumas empresas, vê-se uma disparada dos prejuízos. Entre as 192 companhias analisadas, a quantidade das que fecharam no vermelho saltou de 20 para 42 do segundo para o terceiro trimestre. E as cifras envolvidas cresceram bem mais. De abril a junho, o prejuízo das desafortunadas foi de 1,696 bilhão de reais – uma média de 84,8 milhões por empresa. No terceiro trimestre, as perdas alcançaram 5,427 bilhões, ou 129,2 milhões por companhia.
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